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O desafio da autenticidade e a evolução do UGC no Brasil

O desafio da autenticidade e a evolução do UGC no Brasil
Thaby Marx
mar. 31 - 3 min de leitura
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por Thaby Marx


Eu quase dei o "sim". Quando o movimento de User Generated Content (UGC) começou a ganhar força, vi como maquiadora profissional uma oportunidade valiosa: unir minha bagagem técnica ao desejo das marcas de se conectarem de forma mais genuína com o público. No entanto, ao mergulhar nesse universo, percebi que o mercado brasileiro ainda atravessa uma curva de aprendizado complexa sobre o que realmente define esse formato.

O que deveria ser a celebração da espontaneidade muitas vezes esbarra em desafios de execução que podem comprometer o resultado final para ambos os lados: marca e criador.


O Equilíbrio entre a Técnica e o Orgânico

O conceito original de UGC é a experiência real do usuário. Mas, na busca por escala, o mercado passou a adotar o que podemos chamar de "CGC" (Creator-Generated Content): conteúdo feito por profissionais com estética de usuário. O grande ruído atual acontece quando tentamos colocar essa estética dentro de roteiros excessivamente engessados.

Como comunicadores, sabemos que a audiência de 2026 tem um "radar" apurado para o que é forçado. Quando uma marca pede autenticidade, mas restringe a voz do criador a um script milimétrico, o conteúdo perde o seu maior ativo: a confiança. O desafio atual é encontrar o equilíbrio onde a estratégia da marca encontra a liberdade criativa de quem conhece o seu público.


Profissionalismo e Saúde no Ecossistema Digital

A profissionalização desse setor trouxe avanços incríveis, mas também pressões. Dados indicam que o equilíbrio emocional é hoje uma das maiores pautas entre os creators. A necessidade de entregar uma "perfeição amadora" — aquele conteúdo que parece simples, mas exige horas de planejamento e edição — pode ser exaustiva.

Para as marcas e plataformas, entender que o criador é um parceiro estratégico, e não apenas um canal de veiculação, é o primeiro passo para campanhas mais saudáveis e eficientes. O foco deve sair do "volume de posts" para a "qualidade da conexão".


A Autoridade Técnica como Diferencial

Na minha bancada de maquiagem, aprendi que não existe acabamento perfeito sem uma base bem preparada. No conteúdo digital, a lógica é idêntica. O diferencial de um criador em um mar de 2 milhões de influenciadores não é o filtro que ele usa, mas a autoridade técnica que ele carrega.

O futuro do conteúdo sob demanda no Brasil passa pela transparência e pela curadoria. Marcas que dão espaço para a voz real do criador e profissionais que investem em repertório técnico são os que construirão as comunidades mais resilientes. Afinal, a influência real acontece nas entrelinhas da verdade.


Thaby Marx é maquiadora profissional, estudante de Jornalismo e analista de comportamento em plataformas digitais. Escreve regularmente sobre comunicação e beleza no Substack Entrelinhas da Beleza.

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